Movimentos involuntários? Você pode estar diante de uma distonia.

Distonia cervical
Quem nunca observou aquela pessoa ao seu lado e percebeu um movimento rápido e que produz posturas que muitas vezes até julgou serem engraçadas? Fique você sabendo que este é um problema que afeta milhares de pessoas no mundo todo, e que não tem nada de engraçado, uma vez geralmente provoca intensas dores nos indivíduos acometidos, estando na maioria das vezes associado a quadros depressivos, uma vez que afasta a pessoa de suas atividades cotidianas e até  do convívio social, por conta do preconceito e da falta de informação da população acerca deste assunto.

A distonia é uma doença de evolução lenta e progressiva, que se manifesta quase sempre na infância ou na adolescência e nem sempre tem origem genética, tendo em vista que se manifesta em indivíduos sem história familiar da doença. Possui uma incidência aproximada de 26 casos por milhão de habitantes por ano e infelizmente esta baixa incidência é atribuída ao fato de que a mesma geralmente não é diagnosticada corretamente, sendo provavelmente a real incidência muito maior do que esta estimativa estabelecida.

Quanto ao acometimento corporal as distonias podem ser classificadas como:

1) Focais, quando acomete uma região limitada do corpo (pápebras, boca, laringe entre outras);

2) Segmentares, quando afeta grupos musculares próximos influenciando um segmento corporal uni ou bilateralmente (ombros, membros superiores, membros inferiores entre outros);

3) Generalizadas, quando afeta mais de um segmento do corpo (um braço e o tronco ou ambos os braços e qualquer outro segmento)

4) Multifocais, quando afeta duas ou mais de uma região limitada e não vizinha.

5) Hemidistonia, geralmente quando acomete segmentos do mesmo lado do corpo.

As principais manifestações clínicas das formas de distonia são:

- Blefaroespasmo: é uma contração involuntária da musculatura das pálpebras, resultando no fechamento ocular forçado o que dificulta a abertura ocular

- Distonia de membro: nesta manifestação observamos a ocorrência de contrações involuntárias da musculatura de um membro, ocasionando posturas anormais ou movimentos repetitivos de extremidades.

- Distonia cervical: é diagnosticada nos casos onde há postura anormal da cabeça e pescoço em relação ao restante do corpo, em decorrência de espasmos da musculatura cervical, sendo esta a distonia focal mais comum. Geralmente acompanhada de quadro doloroso (aproximadamente em 67% dos casos), apresenta piora com o estresse e o cansaço e melhora com ao repousar e ao deitar.    

- Distonia oromandibular: é caracterizada por espasmos involuntários em lábios, boca, língua e mandíbula, o que acarreta dificuldades na fala, mastigação e deglutição

- Distonia laríngea ou disfonia espasmódica: neste caso há um comprometimento da musculatura do aparelho fonador, promovendo alterações vocais.

- Espasmo hemifacial: é caracterizado pela contração da musculatura facial em apenas metade do rosto, provavelmente por uma irritação do nervo facial.

Atualmente, apesar dos avanços médicos, o diagnóstico causal das distonias ainda continua deficiente, fato este que concentra todos os esforços terapêuticos na redução e alívio dos sintomas.
O tratamento medicamentoso visa o controle e a diminuição da intensidade dos espasmos musculares. Possui êxito apenas nas distonias generalizadas da infância, permanecendo bem abaixo das expectativas quando se trata das distonias segmentares e focais do adulto. Nestes casos a aplicação da toxina botulínica-A, produzida pelo Clostridium botulinum, é o mais eficaz, uma vez que esta interfere diretamente na transmissão neuronal, promovendo o bloqueio da liberação de acetilcolina e a conseqüente redução da força de contração muscular e da dor que ela causa, o que leva a melhoria do quadro e ao bem estar do paciente.